Política

CID GOMES

Cai o primeiro ministro do governo Dilma

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

sexta-feira 20 de março de 2015| Edição do dia

O ministro da educação Cid Gomes foi afastado de seu cargo hoje. Esta demissão ocorreu após o ex-governador do Ceará e importante ator político do partido aliado de Dilma, PROS, participar de sessão no parlamento onde estava sendo questionado. Não faltavam motivos para que o ministro caísse, fosse pela provocação ao Parlamento e (por esta via ao PMDB) que este havia feito, bem como pela imensa crise que está se gestando em todo sistema universitário brasileiro.

O motivo mais provável para sua queda foi a crise institucional que este abriu ao afirmar poucas semanas atrás que no congresso havia “uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles”, que só queria “achacar” o governo. Esta posição já havia levado o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a abrir processo contra o ministro e o líder do PMDB, Leonardo Picciani, a declarar que se o ministro não caísse o PMDB romperia com o governo.

A bravata de Picciani (improvável, pois o PMDB romperiam com seu próprio vice-presidente Michel Temer), não deixou de ficar registrada, e em meio a crise do governo Dilma, nada mais natural que um movimento desta para buscar arrefecer as criticas e problemas que está tendo com o congresso e em particular o PMDB.

A saída deste ministro também acontece em meio a uma grande crise que está se gestando sob o ministério da educação. Cid Gomes já havia atraído críticas quando havia sido nomeado para este ministério devido a seus ataques a educação quando governou o Ceará, chegando até a falar que os professores deveriam “trabalhar por amor” (e não por salário). Mas, mais importante que seu passado é a crise que está se gestando em meio ao imenso corte de verbas que sofreu este ministério, atacando sobretudo as universidades públicas, levando diversas universidades federais a ter greves de terceirizados por falta de pagamento, demissões em massa de terceirizados, adiar suas aulas, ou cortar drasticamente bolsas estudantis.

Nas universidades privadas também há grande insatisfação devido a mudanças de regras no fornecimento de financiamento do FIES o que tem ameaçado milhares de estudantes a não mais poder estudar. Esta situação já levou a ocupações de reitorias e outras mobilizações e Dilma a falar publicamente que seu governo havia errado no FIES.

Sob todas estas pressões a saída de Cid Gomes não é algo inesperado, mas a rapidez como caiu este aliado do governo, dá mais uma mostra da crise do governo Dilma. Ainda não se sabe, se com esta queda o governo buscará recompensar o PMDB e tomar maiores medidas para lhe aplacar as críticas, mas o que é menos esperado de um governo que tem tomado tantas medidas contra os trabalhadores é que o novo ministro venha a reverter os ataques em curso. Para isto é só com a luta dos trabalhadores e da juventude é que podemos contar.




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