Educação

PLANOS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO

Os debates de gênero e diversidade sexual devem ser discutidos na escola

quarta-feira 26 de agosto de 2015| Edição do dia

O projeto aprovado do PME não questiona ou muda questões básicas para a educação, como o fato de que hoje a maior parte do ensino infantil oferecido pelo município é em parceria e convênio com setores privados, também se discuti neste PME a diminuição do número de alunos por sala de aula, mas não deixa claro como a prefeitura pensa em fazer isso. Com a evasão escolar ou abrindo mais escolas conveniadas aos setores privados?
Mas nada supera o absurdo do projeto excluir totalmente qualquer tipo de discussão e abordagem sobre a questão de gênero e diversidade sexual, apostando no retrocesso para orientar a educação em São Paulo, pelo menos nos próximos 10 anos, vigência do PME. 

Em junho o primeiro esboço do PME que continha as questões de gênero e sexualidade levou uma goleada "a la" Brasil x Alemanha, já que a Comissão de Finanças e Orçamento do município, vetou e retirou qualquer menção a gênero e sexualidade do texto, por 7 votos a 1, por pressão de grupos religiosos, colocando, assim, muitas interrogações no conceito de estado laico. O texto sem a palavra gênero foi aprovado na primeira votação na Câmara que ocorreu no dia 11/08 e na segunda votação ocorrida ontem. 

Essa situação de exclusão do debate de diversidade sexual e gênero nas escolas não é um problema enfrentado apenas em São Paulo, mas também em outras diversas cidades como Campinas, Santo André e também no sul do país, como em Florianópolis. Mas não só, também no Plano Nacional de Educação (PNE) aprovado por Dilma no ano passado, as demandas dos estudantes LGBTs são totalmente ignoradas, bem como qualquer discussão de gênero. 

Nas escolas hoje presenciamos todos os dias piadas, violência e preconceito contra os nossos alunos LGBTs. Presenciamos também situações de opressão as alunas e as professoras. Discutir as questões de gênero e diversidade sexual não é um anseio apenas dos alunos e professores homossexuais e bissexuais, mas de todos. Os alunos querem poder discutir suas experiências e dúvidas e confiam nos professores e na escola para fazer esse debate, é lá que os alunos se referenciam para buscar o saber e a aprendizagem das questões que os rodeiam. Principalmente, entre a infância e a adolescência a socialização se dá sobretudo na escola e por isso a necessidade de se discutir as opressões, os preconceitos e desenvolver nesse processo mais amplo respeito a todos os seres humanos, independente de identidade de gênero e orientação sexual.

Como professora, percebo a urgência dessas questões. É absurdo pensar que em um país onde a violência contra as mulheres e LGBTs são recordes não se priorize combater estes crimes dando uma resposta pela educação, com aulas sobre a sexualidade, questões de gênero e a diversidade sexual. É absurdo permitir que a evasão escolar dos alunos LGBTs, por conta do assédio e violência que sofrem, seja tão naturalizado. Meus alunos LGBTs tem o direito de estudar com qualidade e segurança.

Em uma categoria majoritariamente de mulheres como a de professores é preciso que nós professoras tomemos a linha de frente desta luta pela inclusão imediata dos debates de gênero e diversidade sexual dentro das escolas e para lutar por uma educação de qualidade. Já está claro que não virá dos governos, seja do PT ou do PSDB, uma resposta para nossas angustias. Não priorizam o respeito e a tolerância e muito menos a educação.

Pelos meus alunos e alunas LGBTs, por meus colegas de trabalho LGBTs, por todas as mulheres trabalhadoras que sofrem com o machismo chamo a todas as professoras e professores LGBTs a participarem do Encontro de Mulheres e LGBTs organizado pelo grupo de mulheres Pão e Rosas, que acontecerá no próximo sábado, dia 29/08, às 15h.

Construir uma resposta e uma alternativa dos trabalhadores contra as opressões, racismo e para combater a crise política e econômica que este governo dos ricos nos impõem.




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