Política

PRIMEIRO BALANÇO SOBRE O DIA

Primeiro de maio marcado pela repressão no Paraná, ajustes e demagogia

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

sábado 2 de maio de 2015| Edição do dia

Em diversos atos de primeiro de maio em todo o país, diferentes tendências se cruzaram. Por um lado uma politização em torno da repressão aos professores no Paraná e críticas aos ajustes promovidos pelo governo Dilma, tal como as MPs 664 e 665, e ainda a crítica ao PL 4330 que generaliza a terceirização. Esta politização se expressou em faixas, roupas pretas “em luto” em diversos locais no país e diversas declarações, inclusive de tucanos, se separando da repressão paranaense. E, por outro lado, neste primeiro de maio também se expressou uma continuidade com a situação política nacional anterior a estes ajustes e a atual recessão e impactos na classe trabalhadora.

Como continuidade com um “velho Brasil do gradualismo” o primeiro de maio esteve marcado por manifestações com uma baixa assistência e certo “esperar e ver”. Uma das marcas desta data também foi uma passividade da esquerda frente às convocações do governismo, em várias cidades se diluindo em manifestações governistas (como foi o caso em BH e no Rio) ou sem organizar uma forte manifestação independente onde organizou-se separadamente, como na capital paulista.

Em Curitiba o ato do dia do trabalhador foi transformado num dia de protesto contra a repressão do governo Beto Richa. Alguns milhares de manifestantes tomaram o Centro Cívico em uma manifestação de solidariedade aos professores. Esta manifestação destoou do clima nacional, mas apesar da brutalidade sofrida não conseguiu "pautar" o dia.

Em São Paulo em meio ao ato da esquerda na Praça da Sé, o MRT construiu um importante bloco com trabalhadores de diversas categorias e em especial professores há mais de 50 dias em greve, que junto à juventude colocaram a defesa dos professores do Paraná e contra a repressão, contra os ajustes e o PL4330, a solidariedade aos negros de Baltimore que protestam contra a polícia racista norte americana, desde a perspectiva internacionalista e revolucionária.

Assim sem nenhum fato novo, ou importantes mobilizações na data, o que acabou ganhando maior importância as figuras políticas, mais que o clima do que expressaram as pequenas manifestações e o que expressavam os setores de trabalhadores presente nesta data.

O primeiro fato de grande importância foi a novidade inaugurada por Dilma de não se pronunciar no primeiro de maio. Como já escrevemos, esta decisão teve como pano de fundo o temor de novos “panelaços” de setores abastados da classe média, mas sobretudo como suas posições cairiam na classe trabalhadora em meio aos vários “ajustes” promovidos por seu governo. Para não passar em “branco” na data, Dilma gravou alguns vídeos. Em um deles procurou se diferenciar de algumas visões de parte de sua base aliada sobre o PL 4330, mas defendeu a terceirização. No vídeo defendeu o projeto em negociação
mas de forma mais mediada que o que está sendo feito por Eduardo Cunha e diversos setores patronais.

Concordando com Eduardo Cunha e diversas entidades patronais que têm publicizado vídeos em redes sociais que argumentam que este projeto “regulariza a situação trabalhista de milhões de brasileiros”, Dilma tratou este projeto como uma conquista aos trabalhadores. Este argumento é uma falácia, pois os terceirizados são regidos pelas mesmas leis trabalhistas que o restantes dos trabalhadores e no projeto retira-se obrigações da empresa contratante. Ou seja, expõe juridicamente os terceirizados a maior insegurança que hoje.

Por outro lado, a presidente da República argumentou que seria necessário regulamentar diferenças entre atividades meio, e atividades fim. Deste modo, seu governo parece apontar para uma linha mais negociada com sua importante base de apoio da CUT que não é contrária a terceirização, mas busca unicamente mantê-la em marcos parecidos aos atuais. Ao proibir, ou limitar a terceirização de “atividades-fim”, as bases sindicais da CUT se mantém intactas, porém a precarização de dezenas de milhões de trabalhadores pode seguir acontecendo, com as vistas grossas destes sindicalistas.

Lula por sua vez, em manifestação em São Paulo organizada pelo PT, CUT, MST e MTST, criticou novamente a repressão aos professores no Paraná e fez defesa do governo Dilma e falou contra o impeachment. Aécio Neves, em ato junto a Força Sindical e Eduardo Cunha, teve que se explicar pela repressão promovida por seu correligionário Beto Richa, e para isto pontuou como seria uma hipocrisia aqueles que erguem a voz contra esta repressão, mas não se indignaram contra outras repressões a trabalhadores, como a promovida pelo governo petista da Bahia no ano passado. Esta verdade dita por Aécio escancara como, apesar das diferenças, há elementos comuns à todos partidos da ordem.

Esta “guerra” de declarações, sem que se expresse claramente uma forte oposição dos trabalhadores, mostra como há ainda um caminho a ser percorrido pela esquerda para que possamos expressar nas ruas a força da politização contra os ajustes que é visível nos locais de trabalho. Para isto é importante que as “posições” parlamentares e sindicais conquistadas pela esquerda sejam colocadas a serviço não de declarações, mas para organizarmos fortes mobilizações contra o PL 4330 e os ajustes.




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